Salário desce em janeiro para 140 mil funcionários

A subida das contribuições para a Caixa Geral de Aposentações de 11% para 11,2% vai trazer um corte do rendimento líquido mensal aos cerca de 140 mil funcionários públicos e trabalhadores de empresas públicas que ganham menos de 675 euros por mês. Como estão isentos de corte, também ficarão de fora do plano de reversão da redução salarial que está previsto iniciar-se em 2015.

 

No Documento de Estratégia Orçamental (DEO), o Governo compromete-se a devolver em 20% o corte salarial que está a ser aplicado desde 2011 e que no início de 2014 foi alargado a todos os que ganham por mês mais de 675 euros. No mesmo momento, foi também anunciada uma subida de 0,2 pontos percentuais das contribuições dos trabalhadores para os sistemas de previdência (Caixa Geral Aposentações e Segurança Social). A conjugação de uma medida com a outra fará que, no final do mês, haja um aumento do rendimento líquido, ainda que de reduzido valor, para quem agora está sujeito ao corte. Uma remuneração mensal bruta de 700 euros foi reduzida este ano em 17,5 euros, dos quais 3,5 euros serão devolvidos a partir de janeiro. Na mesma altura as contribuições para a CGA deste salário passarão de 75 para 76,8 euros - sendo o acréscimo inferior à reversão do corte.

Os cerca de 140 mil trabalhadores que auferem menos de 675 euros (95 mil da função pública e os restantes de empresas públicas), e que, por isso, ficaram de fora desta medida de corte, deverão contar com uma descida do salário líquido a partir de janeiro quando entrar em vigor a nova taxa de 11,2%. Na prática, este agravamento irá ascender a 1,35 euros (18,9 euros por ano) para uma remuneração daquela ordem de grandeza.

A subida das contribuições tem estado no centro das críticas da oposição e é um dos temas que a Fesap quer abordar na reunião que vai ter amanhã com o secretário de Estado da Administração Pública. José Abraão, do Sintap/Fesap, acentua que a medida afeta todos, mesmo os que ganham menos. “Diz-se que os salários médios foram mais chamados a fazer sacrifícios, mas constata-se que todos perderam, mesmo os de valor mais reduzido”, refere. Vários membros do Governo têm acentuado que a medida não visa angariar mais receita para o Estado, mas reforçar a sustentabilidade dos sistemas.

A última vez que os descontos para a CGA aumentaram foi em 2011, ainda durante o Governo de José Sócrates, tendo passado de 10% para 11,5%.

Antes da nova mudança nesta taxa, os funcionários públicos e também os pensionistas deverão preparar-se para um novo agravamento na ADSE para 3,5%. A medida só deverá produzir efeitos a partir de junho, já que não foi ainda apreciada pelo Presidente da República e não é certo que Cavaco não volte a vetá-la.

 

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/E

publicado por adm às 14:14 | comentar | favorito