Licenciados sofreram a perda salarial mais pesada desde 2011

O salário líquido médio de um licenciado caiu 4,6% entre 2011 e 2013, situando-se em 1277 euros. Nenhum outro nível de ensino caiu tanto, sendo que o fosso para o Secundário e Básico encurtou-se.

No entanto, ter um curso do Ensino Superior continua a compensar.  Ou seja, um licenciado continua a ter um salário líquido superior ao de um profissional com o Ensino Secundário ou Básico. Mas quem mais sentiu a perda salarial desde que a troika chegou a Portugal foi o licenciado. Se em 2011 levava no bolso 1339 euros por mês, no final do ano passado só conseguia ter na mão 1277 euros (menos 4,6%), segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) facultados ao Dinheiro Vivo. O trabalhador com o Secundário perdeu 3,7%, para 754 euros, e quem tem o Básico ficou com menos 1,6%, ganhando 617 euros líquidos. Um licenciado perdeu três vezes mais do que um empregado com o Básico e 24% mais do que alguém que tem como  habilitação académica pelo menos o Secundário completo.

Esta tendência teve consequência imediata o encurtamento do fosso salarial entre profissionais com habilitações distintas. Um licenciado ganhava mais 71% do que alguém que tivesse o Secundário em 2011. Dois anos depois, o fosso diminuiu para 69,3%.

“A diferença entre as expectativas salariais de um licenciado e o valor que o mercado lhe atribui continua a ser superior à verificada entre os não licenciados”, refere Amândio da Fonseca, presidente da Egor, uma das maiores empresas que trabalha na área de recursos humanos em Portugal.

Esta perda salarial dos licenciados prende-se em parte com a carga fiscal. “Não existiram reajustes significativos nos pacotes salariais desde 2011, embora o valor líquido apurado seja hoje inferior ao de 2011, face à carga fiscal que incide nas remunerações brutas”, afirma Nancy Almeida, Section Manager da Hays, outra consultora na área de recursos humanos.

A baixa de salários no Estado empurra também o privado. “A questão salarial tem uma componente psicológica que se reflete no facto  de a baixa dos salários do Estado incentivar  as empresas a baixarem igualmente os seus custos”, sublinha Amândio da Fonseca.

O receio do desemprego também não ajuda. “Existem muitos profissionais que estão dispostos a rever as suas expectativas salariais, aceitando uma redução, quando se coloca a necessidade de reintegrar rapidamente o mercado de trabalho. Sabendo que períodos longos de inatividade dificultam a reintegração no mercado, muitos profissionais aceitam reduzir as suas expectativas salariais, abraçando projetos com enquadramentos salariais inferiores aos que inicialmente procuravam ”, explica Nancy Almeida. 

Para profissionais ativos no mercado de trabalho, “esta redução salarial é vista como um investimento a “curto ou médio prazo, que terá um retorno efetivo em passos seguintes de carreira”, acrescenta a  gestora da Hays, em declaração ao Dinheiro Vivo.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/Ec

publicado por adm às 20:50 | comentar | favorito