Número de trabalhadores com salários em atraso cresceu 31%

Atrasar o pagamento dos salários aos trabalhadores ou reter os descontos para a Segurança Social parece ser cada vez mais a solução encontrada pelas empresas para fazer face à crise ou a dificuldades pontuais de tesouraria.

No ano passado, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) detectou 16.092 trabalhadores com salários em atraso - mais 3800 do que em 2009 - no valor de 28,4 milhões de euros. Trata-se do montante mais elevado dos últimos quatro anos e representa um aumento de 85% face aos 15,3 milhões de euros apurados em 2009, avança hoje o Público.

De acordo com o relatório de actividades da ACT a que o jornal teve acesso, em média cada trabalhador tinha a receber 1766 euros. Esta verba, segundo o inspector-geral do trabalho, José Luís Forte, acabou por ser devolvida graças à acção da ACT.

Mais de metade da dívida apurada dizia respeito ao salário base (14,8 milhões de euros) e ao subsídio de Natal (6,8 milhões). Mas os inspectores detectaram também falta de pagamento de subsídio de férias, de férias não gozadas, além de outros créditos.

O não pagamento da retribuição aos trabalhadores ocorreu sobretudo nas empresas de prestação de serviços, na indústria hoteleira, no comércio a retalho e na construção civil.

Mas os expedientes detectados pelos inspectores em 2010 não se ficaram por aqui. Às dívidas para com os trabalhadores há ainda que somar 7,9 milhões de euros que não entraram nos cofres da Segurança Social, porque as empresas não fizeram os respectivos descontos ou tinham os trabalhadores subdeclarados. Também aqui houve um aumento inédito de 84,5% face ao ano anterior.

O comércio a retalho era o sector que acumulava mais dívidas à Previdência, seguido dos serviços prestados às empresas e da indústria hoteleira.

fonte:http://economico.sapo.pt/

 

publicado por adm às 23:07 | comentar | favorito