Salários em Portugal caem 5% no privado e 16% no público

Os salários pagos na economia portuguesa caíram ao maior ritmo de que há registo, indicam as estatísticas oficiais a preços correntes.

Seja por causa do aumento do desemprego (e da destruição de emprego), seja pelos cortes nos ordenados, o INE revela hoje que as remunerações caíram a um ritmo recorde de 7,3% no país em 2012 face a 2011, com o sector público a pagar menos 16,1% e o sector privado (empresas não financeiras e bancos) a cortarem 4,8% na folha salarial. Todas estas descidas são as maiores das séries compiladas pelo INE, que remontam a 1996.

De acordo com as contas nacionais por sectores institucionais, a redução da massa salarial no sector público representa mais de metade da redução total na economia: no Estado o corte nesta despesa foi de 3,1 mil milhões de euros, para 16,3 mil milhões de euros em 2012, na economia a descida chegou a 6,2 mil milhões de euros.

No sector privado, a redução foi mais suave (2,5 mil milhões de euros). As famílias e instituições não lucrativas também pagaram menos ordenados (-313 milhões de euros, uma descida anual de 3,5%).

Quando se analisa o período do ajustamento (2011 e 2012) fica claro que é o sector público que está a pagar mais o ajustamento salarial na economia. Nestes dois anos, a massa salarial caiu quase 9% (cerca de 7,6 mil milhões de euros), sendo que o sector público explica mais de 64% desta redução, com menos 4,9 mil milhões de euros (-23% em dois anos). O sector privado pagou menos 2,4 mil milhões ou menos 5% face à média de 2010, o último ano antes do programa do ajustamento.

Se a todos estes valores se descontar os efeitos da inflação, percebe-se que o rombo real do poder de compra dos salários foi ainda maior.

Investimento desaparece
O investimento, a variável determinante para a criação de emprego, continua a desaparecer da economia. Uma vez mais é o sector público a liderar, com um colapso de 31,1% em 2012 e de 53% nos dois anos do ajustamento (2011 e 2012).

As empresas privadas também contribuíram: em 2012 cortaram 12,4% nos projetos de investimento, nos dois anos da troika tiraram 16,3%. A economia tem, atualmente, menos 23% de investimentos do que em 2010.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/E

publicado por adm às 22:35 | comentar | favorito
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