Há menos 41 mil pessoas a ganhar acima de 1800 euros

Os portugueses estão a ganhar salários cada vez mais baixos - só nos últimos três anos, o número de trabalhadores a ganhar acima de 1800 euros brutos caiu 23,6%. São menos 40,7 mil pessoas. Ao mesmo tempo, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pessoas com salários entre os 900 e os 1800 euros aumentou, levando a crer que a desvalorização salarial, tão pedida pela troika, foi mesmo feita pelas empresas. E à custa dos salários mais elevados.

O exercício de redução salarial poderá ter acontecido por duas vias: "Por um lado, as empresas optaram por reduzir os vencimentos dos trabalhadores com categorias mais elevadas e, por outro, estão a fazer uma substituição de mão--de-obra mais cara por mais barata", explica o economista José Reis.

A resposta, lembra, aconteceu como forma de "evitar ainda mais despedimentos", mas "enquanto tivermos uma taxa de desemprego nos 14,1%, é sinal de que estamos numa situação anómala e que a inclusão social que até aqui se fazia pelo trabalho já não está a acontecer."

Os últimos números do "Inquérito aos ganhos e duração do trabalho", do Gabinete de Estratégias e Estudos do Ministério da Economia, justificam esta tendência - os cargos dirigentes, que em outubro de 2011 recebiam, em média, 2854,56 euros, viram a sua remuneração bruta cair 4,53%, para os 2725,03 euros. O mesmo aconteceu no patamar dos empregados, que tiveram uma quebra de 2,08% no seu salário-base, para os 1173,48 euros. Já nas restantes categorias, operário e aprendiz, que recebem os salários mais reduzidos, foi observado um pequeno aumento salarial - em média entre 3 e 20 euros.

As estatísticas não enganam: entre o primeiro trimestre de 2011 e o primeiro trimestre deste ano houve uma redução no número de trabalhadores a receber salários entre 310 e 900 euros. O fenómeno explica-se por um ligeiro aumento salarial e passagem para o patamar de remunerações médio; mas também pela saída da vida ativa ou pelo enorme fluxo da emigração.

Ao todo, há menos 182,8 mil pessoas (-7,77%) do que em 2011 a receber salários baixos, mas, no total, ainda são a esmagadora maioria: 2,1 milhões.

E muitas estão a receber remuneração abaixo do limiar da pobreza, fasquia que engrossou nos últimos três anos, muito por força dos trabalhos a tempo parcial. São já 144 mil portugueses (mais 2,9% do que em 2011) a receber menos de 310 euros.

Os serviços são, de acordo com os dados referentes ao emprego, o maior responsável por esta realidade. O setor, em que se assistiu a um boom de empregos em call centers, dos mais mal pagos, está a empregar mais cinco mil pessoas com vencimentos inferiores a 310 euros, uma subida de 4%. O mesmo aconteceu com o número de pessoas a auferir entre 310 e 600 euros e em que estão mais 39,9 mil trabalhadores. A quebra é mesmo nos salários acima de 3000 euros - nos serviços, só há 18 700 pessoas com estas remunerações.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/ec

publicado por adm às 22:56 | comentar | favorito